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Figa

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Ele chegou na cozinha e puxou assunto contando de um debate em família. Debates em grupos de família pelo WhatsApp. Eu havia acabado de voltar de viagem. Este ano foi o ano que mais fui para casa. Quando soube que minha tia/irmã havia adoecido, eu quis ficar perto, o máximo que podia ficar. Ele desbloqueou o celular e começou a ler o debate. Eu fiquei ali, parada. A primeira coisa que pensei foi na disputa inteligente para ver quem estava certo, uma necessidade de ser mais poderoso, de argumento. E em outro tempo talvez eu tivesse comentado algo para apimentar a discussão, mas aquilo tudo parecia sem sentido. Eu vi o medo da morte de perto, então, estar certo, ou não, parecia a coisa mais tonta do mundo. Comecei a pensar na família como grupos de sangue, muitas vezes, de pouca ou nenhuma intimidade. Eu também passei por isso, essa necessidade de estar certo, ou ter o argumento mais forte. Mas a morte muda tudo, ou nos aproxima de vez, ou nos afasta para sempre. Percebi q...

A manicure e o foragido

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A manicure e o foragido - fazer a churrasqueira era o sonho do marido. Contrata pedreiro, compra tijolo. "O pedreiro comia na mesa de casa. Trabalhou duro, nunca mexeu em nada", recorda a manicure Érika. "Brincava com o filho dela" destaca a irmã Daiane, enquanto pede o outro pé. "E aí?", questiona a cliente jornalista. "Pouco tempo depois foi trabalhar noutro lugar, por indicação minha. Até que acharam ele, levaram preso quando identificaram o foragido". "Que susto!", diz a moça trocando a pintura dos pés. "Foi aí que entendi, no tempo que prestava serviço para mim, eu fazia questão de pedir pra ele assinar o recibo. Perguntava, qual nome devia colocar no papel e ele sempre dizia com certo ar de indiferença: 'pode ser Fábio, Fabinho, Fabião'. Tanto fazia, ele nunca me deu o nome inteiro". Naquela tarde, Érika recebeu uma mensagem do marido, a máquina que fazia terraplanagem no lote do vizinho derrubou seu muro...

A casa de dentro

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Era uma casa para ver o outro, Por dentro Com suas rugas morais, nefastas e indecentes - a sombra oculta da carne. Com suas asas de anjos capazes de alcançar Deus, expressão dEle no mundo do homens - a luz diáfana da pele. O corpo Casa desconhecida. Habito. Ocupo. Desejo. Érica Alcântara 10/04/2018

Relaxa a vista que o anjo voa

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De longe, olho da calçada a Missa de Páscoa da Matriz do Pilar, em Ouro Preto - MG. Lembro da menina que fui, sentada no banco que gemia ao peso do traseiro, olhando para a abundância de arte. Confesso, que muitas vezes sequer ouvi a voz do pároco, firmava os olhos nos anjos e pensava: "se eu fechar os olhos só um cadim e me concentrar bem... nã nani nãnão, tem que ficar de olhos semi abertos, mas relaxa a vista, relaxa mais... ele vai mexer..." 😇 A minha infância inteira, olhei para os tetos das igrejas barrocas, na esperança de que com o poder da mente iria mover as asas dos anjos... eles sobrevoariam toda a gente e se sentariam ao meu lado, cercando-me com suas asas cheias de vento. E num abraço sagrado eu voaria com eles, acima das montanhas, sobre elas. Magia de Minas, encanto das artes. Aí meu coração ❤️, tão mineiro 💜 mais solto que a brisa do incenso da missa de Páscoa. Érica Alcântara 07/04/2018 #historiasqueinspiram   #ouropreto   #escritora   #poe...

Estante de afetos

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Voltar para casa... E agradecer  A felicidade dorme em casa? Talvez. Você já olhou para cada detalhe como parte de ti? Como expressão de tua vontade e de teus desejos... Essa coisa que se chama vida e imprimimos na estante com nossas pequenas delicadezas! Érica Alcântara 04/2018

Zorro se entrega

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O Zorro também tem casa em Ouro Preto! Queriam convencer o garoto, que a casa mal assombrada era, na verdade, de grandes homens. Lhes apresentaram filmes antigos e até os mais modernos, com o Zorro sobre cavalos negros e/ou brancos, todos emplumados de crinas fortes e penteadas ao vento. O menino muito sabido protestou: Quem disse que ele morava aqui? A mãe, que acabara de se mudar para a cidade histórica disse: Uai, está escrito na porta. O menino olhou para a fechadura por algum tempo, pensou, pensou e retrucou: Abra logo que agora eu quero ver o cavalo! Érica Alcântara 21/10/2019

Romaria – a fé de transpor desafios

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De 01/10 até ontem pela manhã, 11/10, 6.646 romeiros passaram pela via Dutra. O Rancho da Pamonha recebeu o grupo “Somos de Imaculada”, que ofereceram apoio e alimentos aos romeiros Por Érica Alcântara Cerca de duas mil pessoas passaram por Santa Isabel rumo a Aparecida pela Rodovia Presidente Dutra, essa contagem é da Vera Lucia Mendonça Santos, proprietária do Rancho da Pamonha, onde um grupo de fiéis montou um ponto de apoio, com direito a capela, missa e bênçãos de párocos também em romaria. Em uma hora no local a reportagem ouviu uma centena de relatos dos pequenos e grandes milagres do dia a dia. Alguns provocam arrepios e a impressão de que a solidariedade voluntária é capaz de mover e renovar a força nas pernas, tanto quanto, ou mais, que os limites da idade ou das condições físicas. Gordo ou magro, alto ou baixo, pré-adolescentes, jovens, adultos e idosos, qualquer pessoa que se disponha a olhar com atenção viu gerações inteiras circulando por uma est...