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Fragmentos

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Então é isso, a gente faz o que pode e depois tenta catar os pedaços da'gente que ficam jogados por aí.
A cabeça dói de tanto pensar... Como foi que me espalhei aqui?
Cacos de vidro sobre o taco velho e desbotado...

A gente se acha nos pequenos feichos de luz e depois se perde....
Ah como a gente se perde! Às vezes por pura teimosia a gente se perde só pra se encontrar e se esconder de novo e de novo... Nos ocupando qse que irremediavelmente com nossos próprios umbigos... Buraco negro do mundo.


Se eu caminhar sobre brasas serei mais feliz?
Por uma semana talvez, que o fogo que consome a gente não tem nome, nem lasca madeira seca ao vento

Conhecimento

A felicidade é instante fugidio, escapa, é isso. Deixa memórias gravadas em nossa gene e assim compartilhamos algo sem nome, sem corpo, instantes entre milhares de eus que nos repartimos.
Érica Alcântara
15/01/2020

Adeus a Rosa

Histórias de Elo - À Deus
Hoje, quarta-feira, dia 13 de novembro, por volta das 10h tocou o telefone. Olhei no identificador de chamadas – Junim – meu irmão mais novo.
– Oi amor, como você está?, perguntei.
- Não muito bem. Eu sei que nós não tivemos convivência, mas eu precisava te avisar ... a vó morreu. É estranho eu sei, desculpa te falar assim, desse jeito. Papai? Ele está em Pirambu...
O resto da nossa conversa não me lembro bem. Fui para o banheiro aos prantos, liguei pro meu pai e entre meu colo distante e palavras de afeto, o convidei para vir ficar um tempo comigo. Ele me contou da saudade que sente, e de uma tristeza que antes dela partir já havia tomado seu corpo. Depois, com a voz tremula, disse:
- Não se preocupe, não vou ficar sozinho. Também não vou procurar os cacos de mim, dos amigos de mais de 45 anos que acompanharam a minha vida. Hoje vou procurar o povo simples daqui, o povo da terra que mais se assemelha com a comunidade quilombola em que eu nasci, só para me se…

Corsário

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Eu já vou, para casa onde mora minha paz
Eu que sou tudo
que abraço meu tempo com a leveza que me foi dada
depois de tanta tempestade
sou mais corsário...
porto do próprio mar que navego...
Érica Alcântara
18/11/2016

Perdi o voo

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Alô, mãe, eu perdi o voo. 
O choro de menina explode na voz embargada da mulher que me torno... Transbordo. 
A brabeza comigo mesma e uma vontade absurda de pedir abrigo... Como quem prevê que meu coração vai ficar dias e dias de castigo... 
A hora do encontro adiado. 
O cheiro e o abraço que não se enlaçam. O colo mútuo que não alcançamos. 
E essa sensação de que a distância aumenta... gigante como eco na montanha. 
É a expectativa que chicoteia... . 

Ela diz: "Não fique triste flor nossos caminhos são traçados por Deus. Vou ficar triste, mas não vai faltar oportunidade. Te amamos" . . 

Aqui em São Paulo, saí do aeroporto e fui ajudar a divulgar o evento das mulheres empreendedoras de Arujá. Depois fui ao Campeonato de Judô em Santa Isabel. Não escondi meu coração partido no trabalho, muito pelo contrário, fui praticar o bem pra me sentir bem... . 

Em Minas, mamãe saiu de casa e foi rezar na igreja. É na ação que encontramos conforto e abrigo... Te amo mãe, tô com saudades. 
Érica Al…

Batizado e a superação do medo

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Nos encontramos no batizado. Eu de branco, Genésia de branco sentamos lado a lado. - Você foi batizada aqui?, perguntei. - Batizada, crismada, também casei e batizei meus filhos aqui. Março de 2019, muitas coisas mudaram. - Para mim parece estranho, batizado comunitário. Na minha terra era um batizado por vez. E a família se reunia em volta da pia batismal e, se não me engano, há uma espécie de rito de passagem entre os pais e os padrinhos, que representam a ligação entre os protetores originais e os que, na falta dos pais, devem cuidar das crianças. - A minha vida inteira está ligada a Santa Isabel, fui registrada como isabelense, mas não nasci aqui por um acidente de percurso. - Como assim? - Quando nasci, meu pai estava resolvendo algumas coisas, uma desapropriação do terreno dele em São José dos Campos, naquela época, não tinha essa coisa de ir e voltar no mesmo dia com toda facilidade e conforto. Ele ia ficar uma noite e como minha mãe estava com os pés muito inchados, pela gr…

Mulher da terra

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A estrada de terra, dura, difícil, em ondas. No Cafundó de Santa Isabel encontrei um tesouro. Uma Mulher da terra, com suas galochas pretas, caminha passo firme, empurrando o carrinho de mão.
O cachorro, desprovido de raça e de latas, também é preto. Se esconde embaixo do carrinho, logo que o carro para.

Benedita Camargo, 68, não sabe aonde está a rua que quero, desconhece a Dona Maria que procuro. Fala sempre sorrindo, mesmo que seja sorriso de vento. É linda. É forte. Mulher.
Digo: "Já lhe disseram como você é bonita?"
Cora a face respondendo: "Sou nada".

"É tudo, tá linda com este chapéu da cor da terra da estrada. Posso fazer um retrato?"
Deixou, mas não sorriu. Olhou firme para o horizonte, nem se mexeu.
Tímida, olha a fotografia meio desconfiada.
Aceitou o abraço de gratidão, alertando: "Tô suja, empoeirada"
"Quem não está nesse calor de meu Deus?", disse.
Ela me disse para seguir em frente, segui.
Érica Alcântara
19/04/2018

Resistência

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É hora de nos encontrar, resistir.
É hora de compartilhar ternura, que tempos duros virão
E nós precisamos de mais flores pelo caminho.
Vamos nos encontrar, pq somos da arte, da filosofia, do jornalismo livre, do feminismo, da liberdade de gênero...
Sejamos resistência, resiliência
Sejamos nós...
Érica Alcântara
29/10/2018

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