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Chicago

Não posso dizer que sinto sua falta, não de um jeito ruim que me apertasse o peito e me angustiasse a alma. Não posso dizer que me sinto vazia. Não sinto. Há tantas paredes em nossa casa e em cada uma tem algo seu. Sua foto, seus livros, nossos quadros e as marcas de seus dedos. Há tanto de ti em minha volta, há tanto de ti dentro de mim... Não sinto saudades como algo ruim, nunca quis aprisionar-te em minhas saias cortar suas asas de pensador? não. Jamais. O teu voo livre desperta o pássaro que sou. e a tua ausência permite que ame-o ainda mais.

Sem título

Às vezes quero sucumbir meus desejos na tua carne A minha vontade de ser feliz e triste com intensidade Às vezes quero matar na saliva o meu grito de justiça e paz Que a vida é dura demais para quem acredita

Alma lavada com vento

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De repente o salto. Cair no mundo com a conciência de ser uma escolha. A força do vento, o ar preenchendo todo o corpo, a vida correndo na veia. Os problemas todos ficaram no avião, uns minutos da mais pura existência. Difícil definir em palavras as sensações. Difícil definir como é viver com tamanha intensidade. Tocar o céu com as próprias mãos, se alimentar de vento. Reconstruir novas perspectivas, superar o medo de ser... existir. Por que enquanto se cai tudo passa a ser só um ponto de vista. Os problemas são menores que o mundo desperto dentro de si. Pousar para a vida de sempre, com a certeza de ser outra, mais completa, mais serena, mais intensa... Saltar de para-quedas é ter a alma lavada com vento.

O fim de um mito

Lá pelas bandas do Bonsucesso, havia a tradição de se tirar do solo sagrado a cura dos males do corpo e da mente. Há três anos testemunhei pessoas ansiosas por tocar o solo, depois lança-lo para longe para sarar suas dores. Este ano, para meu espanto... testemunhei com tristeza o mito desmoronando. Pouco espaço resta para revirar o solo em volta da capela toda pintada de azul. A primeira cena, a mais bizarra, era a da chegada. Sobre a terra sagrada, uma fila de motos e carros estacionados, brinquedos infláveis, que faziam o som das crianças se divertindo ensurdecer a prece dos que oravam na capela, e para completar banheiros químicos. Mais a frente, encostados na capela, um casal de namorados se esfregavam um no outro e uma menina com necessidades especiais comia seu churrasquinho sentada na porta da frente do templo. Ao lado da cruz via-se de cima barracas emprovisadas com lonas, salpicadas em volta com a sujeira da festança, e um cheiro de bebida destilada entorpecia o ar. Eu an...
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Assustadoramente, forte e corajoso O inseto preto e amarelo, menor que meu polegar

Depois

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Com o tempo, a chuva vem e lava todos os sentidos. A boca que esbravejava, silenciosa dorme uma sensação doce de ter o tempo nas mãos depois ... a angústia, filha da certeza de, novamente, perdê-lo o tempo

RAIVA

O que me dá raiva? tantas coisas... reuniões infindáveis que não chegam a nenhum lugar. a cobrança por um trabalho, sem ter recebido nada pelo outro O que me tira do sério é a mentira o que me dá nos nervos é essa gente que promete mudar as cidades salvar o mundo da maldade numa tentativa torpe de arrancar dinheiro das instituições, das fundações, dos municípios que pagam para ver mais mentiras assinaladas no papel prontas para serem arquivadas e esquecidas.