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Alma lavada com vento


De repente o salto. Cair no mundo com a conciência de ser uma escolha.
A força do vento, o ar preenchendo todo o corpo, a vida correndo na veia.
Os problemas todos ficaram no avião, uns minutos da mais pura existência.
Difícil definir em palavras as sensações.
Difícil definir como é viver com tamanha intensidade.
Tocar o céu com as próprias mãos, se alimentar de vento.
Reconstruir novas perspectivas, superar o medo de ser... existir.
Por que enquanto se cai tudo passa a ser só um ponto de vista.
Os problemas são menores que o mundo desperto dentro de si.
Pousar para a vida de sempre, com a certeza de ser outra, mais completa, mais serena, mais intensa...
Saltar de para-quedas é ter a alma lavada com vento.

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Setembro de 2004, sentada na varanda de casa reflito sobre Deus.  Mais ainda, penso nas instituições que garantem representá-Lo. Me calo. O Deus por muitas delas defendido é sempre condicionado, por-Tanto, há sempre um preço a pagar.  E o amor nestes termos perde a pureza original, tem preço com QrCode no final. A dura verdade, a verdade mais difícil de digerir é que no fundo-no-fundo não dá para provar a existência de Deus, porque as provas concretas o reduzem a condições limitadas à nossa própria existência. Reduzir o divino é tirar de Deus sua onipotência, é transformar o Criador na própria criatura. Érica Alcântara

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Entrou no velório ainda tonto, com os olhos cheios d'água, o mesmo terno preto cheirando a flores e o lenço sempre a mão, tapando a boca que cheirava a pinga. Todas as vezes que João bebia, acabava velando alguém, chorando a morte dos outros, chorando a partida alheia como se fosse a sua.  - Você é parente?  - Não, eu só vim dizer... Até logo.  - Você sempre fala com os mortos?  - Quem é você?  - Eurico Breve, seu criado.  - Desculpe, eu não faço criado.  - O senhor não entendeu, só quero lhe prestar pêsames, vejo que estás muito triste. Já sei, era o amor de sua vida.  - Que vida?  - Entendo, o senhor quer ficar sozinho. De todo modo, lamento sua perda, tenha fé que Deus conforte o coração de toda sua família.  - De que família o senhor fala? João que não amava ninguém olhou para o rosto pálido e duro deitado à sua frente e todas aquelas flores cheirando a capim, sorriu e saiu. Pensava no senhor Breve que tagarelava muito e no rosto sem nome, envolto de flores que de certo  murcha