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Cerejas

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E muitas vezes assim é... A gente mal nasce e começa a morrer!! E entre o inseto a gerar, a formiga caça para sobreviver. Eu que nada tenho com isso, sou parte do momento E devoro a mim mesma sempre em busca de mais alimento

Parentesco

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E o tempo passou, passou ... e a gente? A gente foi se perdendo no caminho, se desencontrando nas fotos que foram ficando, aos poucos, mais amarelecidas. Ou preto e branco, numa pintura/memória que foge do meu alcance. Depois o cheiro. Que cheiro? Não sei. Num sei o aroma do seu cangote, nem o som do pulso de pai. E a vida deu voltas, você deixou a névoa da catarata nas cirurgias, que, eu mesma, só soube depois que o sol apareceu. E as suas paisagens continuam outras, as nossas palavras pautadas pelo universo seco da virtual.idade...

Traduz - ação

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Certos poemas traduzem o que sinto, mas não sou eu a dona de tais palavras. E sem conhecimento, ou propriedade, do contexto vivido pelo autor, penso que, às vezes, a gente se divide em vários eus E meus sentimentos andam por aí, ou falecem entre tantos rostos, entre tantos gestos, entre tantas bocas ... que algum dia... quem sabe... traduziram em palavras o que hoje sou, sinto. "Estou Cansado Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto — Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma transparência lúcida" Álvaro de Campos

Frio

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Manhãs de outono, já com a temperatura do inverno. A cama é o melhor lugar da casa. O vinho companheiro das noites. Amor vira cobertor e acordar sempre parece um sonho.

Bis

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Tenho me arrependido da confiança que deposito na maioria das pessoas. Há gente estranha no mundo, de um canibalismo metafísico que insiste em devorar a alma dos outros. Eu, por outro lado, sempre a dar com os burros n'água, espalho para o mundo que a minha casa não tem trancas, está sempre de janelas abertas para o sol, e as pessoas de boa luz são sempre bem vindas no meu lar, coração. Depois de um tempo decepção, mais uma vez sigo a esbravejar: não me deixarei enganar de novo, ... esta foi a última vez ... nunca mais confiarei... e tudo volta a ser como antes... Esse é o problema de viver com intensidade todas as relações humanas.

Manias 2

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Depois dos insetos e flores, meto-me a observar. Se a lenda de que bons filósofos eram antes de tudo observadores, então estou a caminho da melhor academia.

Manias

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Criei nos últimos tempos a mania preciosa de fotografar bichos e flores. Os insetos são os mais surpreendentes, faço questão de ver cada qual. Os pequenos que ninguém vê, que sobrevivem a sombra do dia e a luz da noite. Depois as cores das plantas, com seus castelos de nuances, suas artimanha s de sedução.