Uma gota de afeto

Fui doar sangue com esse povo do bem. Era pro Nicolas, mas ele partiu deixando lições de vida. Falamos dele em todo percurso, meditamos o quanto este menino de 3 anos inspirou tanta gente a ser melhor, a agir para um bem que alcance aqueles que precisam.

Sentaram perto de mim a Cássia e a Patty.

A Cássia contou do filho que tem sopro no coração. O menor de sua sala na creche, mas que é prova de seu pequeno milagre, nasceu cego e encontrou a luz meses mais tarde. "A primeira vez que ele me enxergou, lembro que passamos o dia andando de um lado para o outro adorando perceber que ele nos acompanhava com os olhos. Antes disso ele chorava o tempo todo, mas depois que ele me viu, sorriu de felicidade sincera, parou de chorar o tempo inteiro", lembrou.

Patty conta da Raíssa. 9 meses de gestação perfeita, exames de rotina, ultrassom em leitos particulares. Mas o coração era frágil ❤️, como do Nicolas. 
A primeira filha de Patrícia morreu 18h depois de seu nascimento. Mas Patty a descreve como a mãe que gera e alimenta, por dentro, amor verdadeiro, que não se amarra no tempo. 
Raíssa chegou a passar por cirurgia, lutou. Mas quando no quarto trouxeram os bebês para amamentar e no colo de Patrícia nenhuma criança vinha, a mãe sabia. "Raíssa morreu, eu sabia", disse.
No caminho para a doação havia corações que já foram partidos. 
Mas a gente também riu de nossas besteiras mútuas, das fotos com galãs de pôsteres em tamanho natural. Falamos de corrida e mudanças de vida. Trocamos ficha para o lanche e tomamos café na cantina. Mocaccino, que a Jéssica amou de verdade!

Fomos doar sangue, mas compartilhamos um tempo. A gente, qdo quer, doa mais que palavras, mas oferece parte de nossas vidas.
Érica Alcântara
06/10/2018

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