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Democracia

Todo ano podia ser ano de eleição. De repente, como um passe de mágica multiplica-se pelos municípios um monte de gente que tem a receita da felicidade e a solução de todos os problemas. Contando que o povo tenha memória curta, em ano de eleição as estradas, antes abandonadas, começam a virar tapete, as crianças passam a merecer diversão e os buracos das ruas que beiravam o absurdo começam a ser fechados. Como mágica, de repente os recursos antes escassos surgem para investimentos necessários por três anos, mas que sempre eram ditos inexistentes. Todo ano podia ser ano de eleição, quem nunca foi a sessão de câmara vira produtor de projetos, uma máquina de resolução de conflitos que, em sua maioria sequer sabe que suas propostas são ou imorais, ou ilegais. Ironias à parte, esta semana um amigo filósofo, Thiago Bittencourt, publicou um texto que achei maravilhoso e condizente com minha ideia de democracia, diz ele: “Curiosidade sobre uma época mais altiva da humanidade: na chamada de…
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Passado

Já passou
A hora do adeus que nunca foi dito
Passou.
Os tempos são outros e a vida já não é mais a mesma.
Passou.
Fomos o melhor que pudemos ser e ainda há chance de ser mais, além...
Passou.
A terceira pessoa do plural é campo passado, minado, finito.
Passou.
O tempo do amor infinito foi como chama que tudo consome
Assopra antiga ferida, fuuu
Passou.

Ponta de areia

Então, quando a saudade aperta, o coração dispara... Escuto a canção, a estrada de ferro que me liga as minhas raízes
Que me enlaça em minha infância
No cheiro de Minas
No gosto das Gerais,
E então, então eu me torno grão de areia
E percorro a melodia qual vento que me assopra
lembranças...

Vento

Meus olhos sempre procuram o horizonte,  de minha infância até as últimas horas ... já fui gato, peixe e hoje sou mais vento.
gosto de lamber a serra e pentear as árvores com meu movimento
a espalhar sementes e colorir até as árvores que não são em si mesmas frutíferas

Almoço de sábado

Ele chega tardiamente na mesa do almoço, vira para a mulher e diz
- Sai pra lá que eu quero falar com o Jorge.
Ela se levanta, senta pra lá.
Ele quer dominar a conversa, tem o espírito do macho alfa. Manda onde os filhos sentam, como devem comer... Corta a carne com os braços levantados em forma de asas abertas.
A mulher parece sozinha, perdida no silêncio de cada garfada...


Diáfana

Minh'alma diáfana se derrama sobre a tarde
é flácida, flexível como as letras
que no papel desdobram-se em desenhos
entrelinhas cortadas apenas pelo tempo

Último beijo

Ao contrário da maioria das pessoas que conheço, eu não quero um amor para toda a vida.

Eu quero um amor para o último beijo, mesmo que esse aconteça todos os dias, 
Eu quero o calor da despedida, mesmo que ela seja breve...
Eu quero dançar a beira do abismo que existe entre mim e o outro
E vez em quando tocá-lo só com a ponta dos dedos.