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Mostrando postagens de fevereiro 27, 2021

Memórias e despedida

por Érica Alcântara Há anos decidi que não veria mais os mortos. A primeira vez foi em 2004, quando em Ouro Preto, soube do falecimento de Ivan Marquetti. Auto-Retrato, 1963, Ivan Marquetti    Foto de autoria desconhecida Ivan era artista plástico, daqueles que pintavam o mundo à sua própria maneira e que, pouco tempo antes de morrer, decidiu libertar a própria filha dos muros fechados de um manicômio. E foi aí que nós nos conhecemos, um amigo em comum me recomendou para o trabalho de acompanhante terapêutica. Confesso que não sabia absolutamente nada sobre esquizofrenia e até hoje tenho dificuldade de pautar como esta experiência me amadureceu. Por aproximadamente um ano Emiliana me ensinou a controlar minhas emoções para ser, quando a realidade desmorona, um porto seguro na escuridão. Depois que sua filha foi completamente reintegrada na sociedade, Ivan Marquetti morreu. Seu corpo foi velado na Fundação de Arte de Ouro Preto e Emiliana estava na porta quando cheguei. - Meus