Postagens

A espera da felicidade

Imagem
De tanto esperar pela felicidade, Jorge acredita que está chegando seu momento. Foi viajar com a filha, fez trilha, andou de moto e usou coletes de grupos de apoio. Antes de partir Jorge não sabia se já foi feliz. Quando lhe pediam para citar três momentos de pura alegria, lembra da gemada de sua avó, feita com uma dose extra de cachaça que fazia a criançada dormir bem melhor, ou mais rápido, ele não tem certeza! Depois tem o nascimento da filha, Juliana, que lhe causa estranheza por parecer tanto com ele mesmo. "Mas tinha que puxar logo os defeitos?", questiona sempre em tom de zombaria. Um terceiro exemplo não sabia ou nem lembrava. Os dois primeiros exemplos nasceram quase de cesária, foi necessária persuasão a fórceps. Mas a felicidade, Jorge espera. Agora que vai se aposentar acredita que vai alcançar assim, tão logo tire o terno e a gravata. Deixou pra depois, que acabasse a faculdade, que casasse, que tivesse filhos, que Juliana crescesse e o tempo passou. ...

Aprender a comer aos 40

Imagem
Quarta-feira, dia 08/08/2018, às 8h, fui a uma nutricionista. Não foi fácil chegar até lá, no caminho a gente passa por anos de aconselhamento leigo, pois sempre tem alguém com uma receita infalível para você vencer a balança e ser mais saudável. Além disso, a rotina deliciosa de doces e guloseimas é muito reconfortante. Entre caminhar 4km e comer um pote de Nutela, aaaa adivinha qual escolhi a vida toda? O caminho mais fácil, também pode ser o mais pesado. Quando um doce não preenche o vazio, a noite chega e a gente quer mais, começa a sonhar com uma caixa de bombons e/ou qualquer receita maluca que transforme os ingredientes da dispensa numa sobremesa. Quando cheguei no consultório de Karen Corsini, a secretária Nayane é quem me recebeu. Simpatia e gentileza a definem bem. Mas internamente um sentimento de deslocamento e estranheza me geraram um certo desconforto, uma espécie de dúvida interna gritava: Não é possível que você não saiba comer! A verdade é que não sei mesmo. ...

Histórias de Elo

Imagem
Amanhã completo 35 anos. A maior parte das mulheres que conheço não gostam de divulgar a própria idade, mas qual o problema com os números? Não são eles que fazem de nós o que somos. Afinal, conheço mulheres com mais de cinquenta anos que agem como crianças birrentas sempre que lhes é negado algo, tanto quanto conheço meninas de sete anos que agem como se todo o mundo lhes pesasse os ombros e cuidam dos irmãos como se tivessem nascido dela. A verdade é que pouco importa o número. Minha mãe, durante muito tempo, aumentava a própria idade em pelo menos 10 anos, só para escutar a famosa frase: “Menina como você está conservada”. Sou uma balzaquiana orgulhosa, não tanto pela personagem de Honoré, mas por que em meus momentos de lucidez sinto que este é o tempo do ser inteiro. Explico. Quando somos jovens uma agitação toma conta de nós, e é como se alma fosse grande demais para um corpo tão pequeno. Agora, é como se alma vestisse o corpo com precisão, e a agitação já não nos entorpece ma...

Um passo de cada vez

Imagem
André, eu, Kátia e filha, Ana Caminhei 3,9km esta noite. Eu que vivo na escrivaninha entre uma reportagem e uma poesia. Fui. Horário marcado: 19h30. Saí do trabalho mais cedo! Workaholic saindo mais cedo? Não. Não dá, num vô. Me convenci: escreva uma história, seja parte dela, e a cada três meses conte como caminhar transforma uma vida. Certo! Larguei o computador. Fui em casa procurar malha e um tênis, aquele esquecido no fundo da sapateira. No auge dos 80 a malha não combina, o casaco pouco se ajusta e a cabeça começa a pensar: Está frio hoje, muito frio pra caminhar. André e Ana dão o suporte: "está frio, mas não choveu. Vem!". Passei no mercado, peguei uma fruta e lavei, logo depois da mulher de anel manchado de listras brancas e avermelhadas que sorrindo me disse: "olha a sujeira que a gente acumula no caminho", mostrou as mãos sob a água escorrendo uma espécie de lama das macaxeiras. Sorrio enquanto esfrego minhas uvas na água corrente e penso...

Preta sim, mulata jamais

Imagem
-Eu não tinha um grupo na escola, os brancos não me aceitavam porque eu era negra. E os negros não me reconheciam porque eu não era pobre o suficiente. Quando Tainã Sandis me contou essa história pela primeira vez estava sentada na rede, na varanda de casa. Nunca esqueci desta frase, era tarde de primavera, ano 2017. Ela chegou com um bonsai de presente e umas sacolas cheias de comidinhas e bebidas. Parecia uma festa! Chegou provendo o encontro como se fosse a própria anfitriã e gostei muito disso. Abre a geladeira que as portas  de minha casa só são abertas  para minha irmandade. Tomamos caipirinha de maracujá com pimenta, servidas cuidadosamente na casca, porque Tainã tem muita personalidade. Quando a conheci disseram-me que é racional, mas só se for na página 54, hoje não, ainda não. Em seus 29 anos é aquela pessoa da qual se pode contar, sabe? Contar mesmo! Do tipo que vira o mundo para fazer as pessoas que gosta feliz. Ela nunca expressou pesar para contar as his...

Dia dos Namorados

Imagem
Vem meu poeta, entra em minha casa e arranca palavra dura Está presa em minh'armadura Virei pedra de rio, vem serenar sobre meu corpo moldado Que a lua cheia me grita e sou toda mentira e verdade. Érica Alcântara

Luar

Imagem
Conhecer o outro lado da história, Ir a fundo no caminho que deixamos de percorrer enfrentar o medo ai que medo! Não saber é o maior tormento Mas já estou pronta eu quero ver o outro lado da lua 🌒 Érica Alcântara 14/05/2014